“Sonhar não custa nada!”. O samba enredo de 1992, da Mocidade Independente de Padre Miguel, convida-nos a navegar pelo infinito, em um mundo de ilusão. Os sonhos representam uma genuína forma de expressarmos nossas expectativas, inclinações, inclusive nossos desejos mais secretos e proibidos. Pelos sonhos, não só vivemos experiências múltiplas, como também descortinamos novos horizontes. Sem eles, a vida perde o seu colorido e fatalmente morremos.
Os sonhos formam a base da juventude. Inconformados com a realidade que se apresenta, nossos jovens saem às ruas e clamam por liberdade. Criticam os aumentos do custo de vida e dos impostos, contestam a má qualidade dos transportes e o preço abusivo que se cobra por esses serviços, questionam a baixa qualidade da educação e da saúde, repudiam a violência sem limites, a discriminação social e racial, bem como a impunidade. Paralelamente, sonham com um mundo mais fraterno, justo e equânime, onde todos têm direito a uma vida melhor e mais digna.
Entretanto é preciso refletir: não seriam esses sonhos meras utopias? Não estariam nossos jovens construindo moinhos de vento à maneira de Dom Quixote, o cavaleiro andante que, juntamente com o seu fiel escudeiro Sancho Pança, saiu pelo mundo lutando por ideais insólitos como salvar donzelas indefesas e combater gigantes e dragões?
Se queremos ver nossos sonhos realizados, precisamos consubstanciá-los. Uma medida necessária para isso é buscar o autoconhecimento: quem sou eu? quais são os meus valores? qual é a minha missão nesta vida? quais são os meus sonhos? que empreendimentos e recursos serão necessários para que eles estejam a serviço da transformação e bem-estar social? Se o meu grande sonho se relaciona com a minha carreira profissional, preciso refletir sobre as habilidades e competências que já desenvolvi e quais ainda preciso desenvolver. Depois disso, precisarei traçar metas e objetivos para alcançá-los. E trabalhar arduamente, sempre acreditando que o sucesso é a soma de contínuas e progressivas realizações.
Por fim, é preciso compreender que o sonho será mais significativo, se ele for compartilhado. Não se trata de viver o sonho de outrem e vice-versa. Só precisamos abandonar a prepotência e ter em mente que há forças maiores do que as nossas e que não somos capazes de compreender tudo sozinhos. Na tradição judaica, o quipar é usado como símbolo de humildade perante o Criador. O importante é sonhar e batalhar juntos para a concretização de um ideal coletivo, que assegure, por exemplo, os direitos fundamentais do cidadão e as liberdades democráticas.
Sensíveis são os versos do poeta João Cabral de Melo Neto, que nos desperta a atenção para a ideia de que um galo sozinho não tece uma manhã, a qual só se torna plena com o somatório do canto de outros galos. É preciso dividir, compartilhar, incorporar o outro em nossa construção do futuro. Há um dito popular segundo o qual a união faz a força; ou ainda outro que nos lembra de que, juntos, somos mais. Assim aquilo que não passava de utopia começa a se materializar. E já que introduzi este texto com a citação de uma música, vou deixar mais uma para nossa reflexão: “Sonho que se sonha só. É só um sonho que se sonha só. Mas sonho que se sonha junto é realidade...” Toca Rauuul!!!...


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